domingo, 21 de março de 2010

NOVELA: VÉU DE NOIVA (1969)



TRAMA PRINCIPAL

- Véu de Noiva foi o primeiro grande sucesso de Janete Clair no horário das 20h da TV Globo. A trama, baseada em Vende-se um Véu de Noiva, radionovela escrita pela autora para a Rádio Nacional, marcou a aposta da emissora em uma teledramaturgia moderna, com histórias contemporâneas, próximas da realidade brasileira e constituídas por diálogos coloquiais. A primeira novela urbana da TV Globo sepultou os melodramas ambientados em épocas e países distantes, que tinham como uma de suas grandes referências a literatura estrangeira – fase atribuída à autora cubana Glória Magadan, então responsável pelo núcleo de produção de telenovelas da emissora. Temas comuns ao dia a dia dos telespectadores entraram em pauta, como os conflitos familiares e as diferenças sociais.

- A novela tem como cenário o Rio de Janeiro e traz Regina Duarte no papel de Andréa, moça de família humilde que está de casamento marcado com o pianista Luciano (Geraldo Del Rey). Ele, porém, tem um caso com sua irmã, Flor (Myriam Pérsia). No dia do casamento, após descobrir o envolvimento dos dois, Andréa sofre um acidente de carro com o noivo e o piloto de corridas Marcelo Montserrat (Cláudio Marzo). O carro de Marcelo vem em direção contrária ao de Luciano, e os dois se chocam num grave acidente. Luciano se fere nas mãos, e Andréa ganha uma cicatriz no rosto.


- Durante o período de internação, Andréa, que já conhecia Marcelo – ela sempre acompanhou pelo rádio sua atuação nas pistas de corrida – apaixona-se pelo piloto, tendo como rival a vilã Irene (Betty Faria), noiva do rapaz. Andréa e Marcelo se casam em segredo, numa cerimônia íntima, contrariando a mãe dele, Helena (Glauce Rocha), que não aprova a união. Sob os cuidados do renomado cirurgião plástico Dr. Jorge Albertini (Álvaro Aguiar), Andréa aguarda o momento de fazer uma cirurgia na face.

- Luciano abandona Flor ao descobrir que ela está grávida. Como ela não quer assumir o filho sozinha, por vergonha de ser mãe solteira, entrega a criança para a irmã. Algum tempo depois, Flor se casa com Armando (Carlos Eduardo Dolabella), que quer ter filhos. Ao saber que não pode mais ser mãe, Flor resolve pedir seu filho de volta. As irmãs passam a disputar a guarda da criança. O caso chega aos tribunais, e Andréa vence a disputa.

- No decorrer da trama, Luciano é assassinado, e sua morte levanta suspeitas sobre vários personagens da história.




TRAMAS PARALELAS

Renato Madeira e a família Montserrat

- Os negócios da fábrica de tecidos da Família Montserrat não vão bem, e a casa da família é hipotecada. O advogado Armando (Carlos Eduardo Dolabella) tenta convencer Eugênio (Ênio Santos) a vender a fazenda para tentar escapar da falência, mas ele tem uma relação afetiva com o lugar, que era adorado por sua primeira esposa, Roberta, irmã de Rita (Ana Ariel). Sua atual mulher, Helena (Glauce Rocha), quer que o marido venda logo a propriedade, que considera “um lugar amaldiçoado”. Helena, na verdade, esconde um segredo. No passado, ela e Felício Madeira (Gilberto Martinho) armaram um plano para assassinar Roberta.


- Felício trabalhava na fazenda e teve um romance secreto com Roberta que, no entanto, rompeu com ele. Como Helena queria ficar com Eugênio, ela e Felício planejaram a morte da jovem, que já estava casada com Eugênio e tinha 23 anos na época. O filho de Roberta e Eugênio, Renato (Cláudio Cavalcanti), acabou virando filho adotivo de Felício e Rita. Eugênio nunca desconfiou de nada, nem de que Renato é seu filho. Em troca, Helena dava dinheiro a Felício, que sempre contou a Renato que o rapaz era filho de um colono amigo seu, e que sua mãe teria morrido quando ele nasceu, tendo a família Montserrat pedido para ele cuidar da criança. Ao longo da trama, Renato descobre a verdade sobre sua origem.




Quem matou Luciano?

- A morte de Luciano (Geraldo Del Rey) é desvendada somente no final da trama. A assassina é Rita (Ana Ariel), inconformada por ele ter levado a desgraça à sua família: enquanto estava de casamento marcado com uma de suas filhas, Andréa (Regina Duarte), engravidou a outra, Flor (Myriam Pérsia).


- Apaixonado por Flor, Luciano tentou desfazer o noivado com Andréa, chegando a procurar Felício (Gilberto Martinho) para explicar que recebera uma proposta de trabalho no exterior e que pensava em romper o compromisso. O pai da noiva não aceitou o rompimento, alegando que, após dez anos de noivado, Andréa não teria pretendentes. Felício disse para o futuro genro casar-se e levar Andréa com ele. Mas Luciano não conseguiu reprimir a paixão por Flor, e o término da relação com Andréa foi inevitável. Mais tarde, ele também abandona Flor, ao descobrir sua gravidez.

- Interessado em tornar-se um pianista reconhecido internacionalmente, Luciano aceita se casar com Maria Eduarda (Djenane Machado) a pedido da mãe da moça, Lurdes (Neuza Amaral), que também é pianista e promete ajudá-lo na carreira. No entanto, mesmo sabendo que Andréa está casada com Marcelo (Cláudio Marzo), Luciano volta a assediá-la, deixando o piloto furioso. Depois rompe com Eduarda, de forma agressiva, provocando a ira da família da jovem, especialmente de seu irmão, Sérgio (José Augusto Branco). O músico consegue despertar o ódio de vários personagens.

- No capítulo 54, Luciano recebe uma conhecida em casa, que lhe pede para passar a noite ali. Enquanto a moça, embriagada, dorme em um dos quartos, ele toca piano e não percebe quando alguém se aproxima, sorrateiramente. Ao virar-se, é alvejado com vários tiros. Um fotógrafo que aguardava por Luciano, sentado na escada em frente à porta do pianista, bate uma foto do criminoso quando este deixa o apartamento. A jovem que estava hospedada na casa da vítima, após acordar do porre com o som dos tiros, fica transtornada com a cena. Como o porteiro a vê com a mão na arma, ela foge, deixando sua bolsa com identificação, e torna-se a principal suspeita do crime.



- Em meio à investigação policial, Marcelo também vira suspeito, acusado pela mãe do pianista. Mas o piloto tem um álibi: passou a noite fazendo companhia a Irene (Betty Faria), que havia ligado para ele ameaçando se matar. A proximidade de Irene e Marcelo desagrada Andréa. Para piorar, Irene chantageia a enfermeira Dulce (Suzana Faíni) e a faz trocar o exame de Andréa com o de uma paciente que, de forma alguma, poderia se submeter a uma cirurgia como a que a jovem pretende fazer para se livrar da cicatriz no rosto. As intrigas de Irene e as desconfianças mútuas entre o casal – Andréa acha que Marcelo só se casou com ela por sentimento de culpa, por ter provocado o acidente, e Marcelo pensa que a jovem só se tornou sua esposa para não prejudicar a carreira dele nas pistas – acabam por abalar a relação dos dois.


GALERIA DE PERSONAGENS


ANDRÉA (Regina Duarte) – Filha de Rita (Ana Ariel) e Felício (Gilberto Martinho), irmã de Flor (Myriam Pérsia) e Renato (Cláudio Cavalcanti). Jovem simples e generosa, é noiva de Luciano (Geraldo Del Rey) há dez anos e trabalha como vendedora numa loja de departamentos, em Botafogo, no Rio. É fã de automobilismo e torce pelo brasileiro Marcelo Montserrat (Cláudio Marzo), com quem acaba se envolvendo.

MARCELO MONTSERRAT (Cláudio Marzo) – Filho de Eugênio (Ênio Santos) e Helena (Glauce Rocha), irmão de Maria Eduarda (Djenane Machado). Bom caráter, sofre com os erros dos pais. É noivo de Irene (Betty Faria) e se encanta por Andréa (Regina Duarte). Piloto de corridas, vence o torneio internacional de Fórmula 3 em Monza, na Itália, pela equipe Ferrari. Seu sonho é chegar à Fórmula 1.

FLOR (Myriam Pérsia) – Irmã de Andréa (Regina Duarte) e Renato (Cláudio Cavalcanti). É bailarina do Teatro Municipal e apaixonada por Luciano (Geraldo Del Rey), noivo da irmã. Tenta convencê-lo a romper com Andréa. Seu verdadeiro nome é Florentina, que ela odeia: prefere ser chamada de Flor. Sonha com a ascensão social.

LUCIANO (Geraldo Dey Rey) – Pianista, solista de uma orquestra, amante de música clássica. É noivo de Andréa (Regina Duarte), mas apaixonado por Flor (Myriam Pérsia), irmã de sua noiva. Ambicioso, não mede esforços para alavancar sua carreira. É assassinado ao longo da trama.

RENATO (Cláudio Cavalcanti) – Irmão adotivo de Andréa (Regina Duarte) e Flor (Myrian Pérsia). É gago, epilético, canhoto e muito tímido. Usa óculos para corrigir a miopia e roupas um pouco antiquadas. É, na verdade, filho de Eugênio (Ênio Santos).


RITA (Ana Ariel) – Mulher de Felício (Gilberto Martinho), mãe de Andréa (Regina Duarte), Flor (Myriam Pérsia) e Renato (Cláudio Cavalcanti). Dona de casa e costureira. É irmã de Olga (Lourdinha Bittencourt) e de Roberta, que morreu.

FELÍCIO MADEIRA (Gilberto Martinho) – Marido de Rita (Ana Ariel), pai de Andréa (Regina Duarte), Flor (Myriam Pérsia) e Renato (Cláudio Cavalcanti). Trabalha como representante de um laboratório de medicamentos. Tem como hábito fumar cigarro de palha. É um homem paciente.

OLGA (Lourdinha Bittencourt) – Irmã de Rita (Ana Ariel). Mora com a irmã, ajuda a cuidar da casa e também costura. Faz com Rita o vestido de noiva de Andréa (Regina Duarte).

VERA (Suzana de Moraes) – Amiga de Andréa (Regina Duarte), trabalha com ela como vendedora na loja Sears.

HELENA MONTSERRAT (Glauce Rocha) – Mulher de Eugênio (Ênio Santos) e mãe de Marcelo (Cláudio Marzo).

EUGÊNIO MONTSERRAT (Ênio Santos) – Marido de Helena (Glauce Rocha) e pai de Marcelo (Cláudio Marzo).

IRENE (Betty Faria) – Noiva de Marcelo (Cláudio Marzo), tem uma queda por Sérgio (José Augusto Branco).

ARMANDO MUNIZ (Carlos Eduardo Dolabella) – Advogado de Eugênio (Ênio Santos). Cuida dos negócios da fábrica de tecidos da família. Fica encantado com Flor (Myriam Pérsia).

TIA CORA (Zilka Sallaberry) – Tia de Eugênio (Ênio Santos), irmã de sua mãe. Muito rica, vive na fazenda da família. Usa cadeira de rodas e uma bengala, além de um sininho para chamar as pessoas.

JORGE ALBERTINI (Álvaro Aguiar) – Médico, marido de Lurdes (Neuza Amaral), pai de Sérgio (José Augusto Branco) e Maria Eduarda (Djenane Machado). Tem um caso secreto com Dulce (Suzana Faíni), sua enfermeira.

LURDES (Neuza Amaral) – Mulher de Jorge Albertini (Álvaro Aguiar), mãe de Sérgio (José Augusto Branco) e Maria Eduarda (Djenane Machado). Tem uma doença que se manifestou há dez anos.

SÉRGIO (José Augusto Branco) – Filho de Jorge Albertini (Álvaro Aguiar) e Lurdes (Neuza Amaral), e irmão de Maria Eduarda (Djenane Machado). Interrompeu os estudos no quinto ano de medicina. É piloto de corrida e tem uma queda por Irene (Betty Faria), noiva do amigo Marcelo (Cláudio Marzo). Interessa-se por Flor (Myriam Pérsia).

MARIA EDUARDA (Djenane Machado) – Filha de Jorge Albertini (Álvaro Aguiar) e Lurdes (Neuza Amaral), e irmã de Sérgio (José Augusto Branco). É bailarina e amiga de Flor (Myrian Pérsia). Seu apelido é Dudu.

CHICO (Oswaldo Loureiro) – Mecânico de Marcelo (Cláudio Marzo). Diz a todos que é casado e que tem um filho. No entanto, vive só. Na verdade, foi casado, mas sua mulher o deixou, e seu filho morreu.

DURVAL LORENA (Paulo Gonçalves) – Chefe da equipe de Marcelo (Cláudio Marzo).

ANTONIO LOPES (Júlio César) – Repórter esportivo. Realiza a cobertura das corridas e faz algumas entrevistas com Marcelo (Cláudio Marzo).

DULCE (Suzana Faíni) – Enfermeira do Dr. Albertini (Álvaro Aguiar), com quem tem um caso secreto. Tem um filho com o médico, Arnaldinho (Roberto Argolo). É vizinha de Andreá (Regina Duarte).

ARNALDINHO (Roberto Argolo) – Filho de Dulce (Suzana Faíni).

PAULO JOSÉ (Zé Mário) – Fotógrafo que conhece a identidade do assassino de Luciano (Geraldo Dey Rey).

WILSON (Jorge Cherques) - Chefe da equipe de Marcelo (Cláudio Marzo) na Itália.



E MAIS:

Agnes Fontoura

Darlene Glória – Leda

Dary Reis

Emiliano Queiroz - Tomaz

Fernando José

Gracinda Freire

Henriqueta Brieba

Ida Gomes

Jorge Coutinho

Júlio César – Antônio Lopes

Julio Garcia

Lícia Magna

Mary Daniel - Mariana

Milton Gonçalves

Mirian Pires - Mariana

Rogério Fróes

Zeni Pereira




PRODUÇÃO

- Em busca de uma narrativa moderna, inovações foram testadas na captação e edição de imagens da novela, que passaram a ser mais ousadas, segundo o diretor Daniel Filho. O road movie americano Easy Rider (1969), de Dennis Hopper, um dos clássicos do momento, serviu de referência para a montagem de algumas cenas.

- Para gravar as cenas externas, a direção levava para as ruas as pesadas câmeras utilizadas em estúdio, as TK 60, também usadas nas coberturas de futebol.



FIGURINO E CARACTERIZAÇÃO

- Como uma novela urbana e contemporânea, Véu de Noiva podia apresentar um figurino mais próximo da realidade dos telespectadores. Os personagens deram adeus à caracterização de época e passaram a usar roupas e acessórios modernos. No finalzinho da década de 1960, por exemplo, vestidinhos e minissaias eram comuns no guarda-roupa feminino. A protagonista Andréa (Regina Duarte) e sua rival, Irene (Betty Faria), seguiam essa linha.

- O ator Cláudio Cavalcanti, intérprete de Renato Madeira, conta que vestiu praticamente a mesma roupa durante a novela inteira: uma camisa jeans azul clara, um casaco de couro curto, calça jeans, uma bota de couro ou um tênis branco, além do óculos que ajudava a caracterizar o personagem.

- Presente das amigas, o véu de Andréa era finíssimo, de renda, com uma tiara trabalhada em pedrarias.





CENOGRAFIA E PRODUÇÃO DE ARTE

- Véu de Noiva inovou ao mostrar paisagens do Rio de Janeiro, lugares da moda, boates e bares do bairro de Ipanema, na zona sul da cidade. Entre os locais mostrados na trama estavam a Avenida Niemeyer; a praia e o Castelinho do Flamengo; além da Avenida Rio Branco e do Teatro Municipal, no Centro.

- A decoração da casa de Marcelo (Cláudio Marzo), localizada na Gávea, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro, era sofisticada, com móveis confortáveis e de bom gosto. Na parte externa, havia um belo jardim.

- Andréa (Regina Duarte) e sua família moravam na mesma vila humilde de Luciano (Geraldo Dey Rey), a fictícia Vila da Saudade, no bairro do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro. No quarto de Andréa, havia duas camas de solteiro e uma mesinha de cabeceira entre elas, com um telefone. Na casa de Luciano, decorada com toalhas bordadas cobrindo os móveis, havia um piano na sala e um abajur antigo, de pano, ao lado de uma cadeira de balanço.



CURIOSIDADES

- O assassinato de Luciano foi uma artimanha criada pela autora para contornar a saída de Geraldo Del Rey da novela. Ele pediu licença para deixar a trama, por volta do capítulo 30, após aceitar um convite de trabalho na TV Tupi. Para justificar a ausência do ator, Janete Clair escreveu a morte do personagem, e lançou o bordão “Quem matou Luciano?”, criando um novo gancho na trama. Por conta da reviravolta no enredo, Paulo José entrou na novela para viver um fotógrafo que podia desvendar o mistério. Detalhe: quem disparou tiro que matou Luciano, nas gravações, foi o próprio diretor Daniel Filho.

- A disputa pela guarda do filho de Flor (Myriam Pérsia) mobilizou o público. O diretor Daniel Filho solicitou ao juiz de menores Eliézer Rosa que fosse preparado um júri para decidir com quem a criança ficaria no final da novela. Nem Janete Clair sabia qual seria a decisão. O julgamento foi gravado sem ensaio. No final, Andréa (Regina Duarte) ficou com a criança. A sentença surpreendeu Regina Duarte e Myriam Pérsia, que, orientadas pela direção, improvisaram em cena, a partir de suas emoções.


- Véu de Noiva foi a primeira novela de Regina Duarte na TV Globo. Na época, o jornal O Globo destacou a estreia da atriz na emissora do Rio: “Só mesmo Andréa traria Regina Duarte para a Globo.” Muito conhecida em São Paulo, Regina Duarte iniciou na carreira na novela A Deusa Vencida (1965), na extinta TV Excelsior. A escalação de uma atriz paulista de grande sucesso foi um dos esforços da TV Globo para conquistar o público de São Paulo.

- A novela também marcou a estreia de Paulo José na TV Globo. O ator estava no auge do sucesso alcançado com o filme Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, e chegou a ser disputado pela Globo e pela Tupi.

- Em sua tentativa de aproximar a novela da realidade contemporânea, Janete Clair lançou mão da participação de personalidades famosas na trama, como o poeta Vinicius de Moraes e o cronista Carlinhos Oliveira, o que despertou a atenção do público jovem.

- O personagem Marcelo foi inspirado no piloto brasileiro de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi, que despontava nas pistas de todo mundo e se tornaria o piloto mais jovem a conquistar um título na categoria, em 1972. Nessa época, as corridas ainda não eram disputadas no Brasil, mas o piloto escocês Jackie Stewart, de passagem pelo país, chegou a gravar uma participação especial na novela.

- Dias Gomes e Janete Clair, marido e mulher, inovaram ao cruzar a trajetória de personagens de duas novelas diferentes exibidas à mesma época. Flor (Myriam Pérsia), de Véu de Noiva, de autoria de Janete Clair, ao procurar um tratamento para engravidar, foi se consultar com o médico Flávio (Paulo Goulart), de Verão Vermelho (1969), escrita por Dias Gomes. A sequência foi gravada duas vezes, uma para cada novela.

- A partir de Véu de Noiva, Regina Duarte passou a fazer par romântico com Cláudio Marzo, com quem contracenaria em Irmãos Coragem (1970), Minha Doce Namorada (1971) e Carinhoso (1973).

- Para interpretar Renato Madeira, Cláudio Cavalcanti se esmerou para que os gestos do personagem, que era gago, não coincidissem com suas falas, o que acentuava suas dificuldades. Renato Madeira fez um grande sucesso na trama. O papel foi idealizado por Daniel Filho com base em Alessandro, um personagem epilético vivido pelo ator colombiano Lou Castel no filme I Pugni In Tasca (De Punhos Cerrados / 1965), de Marco Bellocchio.

- Ao longo da história, Míriam Pires substituiu Mary Daniel no papel da personagem Mariana.

- Nos scripts da novela, chamam a atenção expressões populares usadas na época. “Arriscar um olho”, por exemplo, significava “paquerar”.

- Antigamente, as novelas não estreavam necessariamente em uma segunda-feira, como passou a ser instituído tempos depois. A estreia de Véu de Noiva, curiosamente, foi em uma terça-feira.




TRILHA SONORA

- Véu de Noiva foi a primeira novela a ter uma trilha sonora feita especialmente para ela. Concebida por Daniel Filho e Nelson Motta, a trilha virou disco, lançado pela Philips, e foi um sucesso de vendas, alcançando 70 mil cópias. O disco continha 11 faixas, sendo sete músicas diferentes e variações sobre quatro temas apresentados antes.

- A experiência iniciada com o folhetim de Janete Clair, estendida às novelas Verão Vermelho (1969), Pigmalião 70 (1970) e Assim na Terra Como no Céu (1970), levou à criação da Som Livre e mudou o mercado de discos no Brasil. Compor músicas para novelas, anteriormente visto com ressalvas, transformou-se no sonho de consumo de muitos compositores brasileiros. Antes de Véu de Noiva, as inserções musicais ficavam a cargo do sonoplasta. Os personagens não tinham tema musical próprio.


- A trilha sonora de Véu de Noiva pertence ao catálogo da gravadora Universal Music e foi reeditada em CD no Japão, no final dos anos 1990.

- A música Teletema, de Tibério Gaspar e Antônio Adolfo, interpretada pela cantora Regininha, foi um dos maiores hits do ano. A letra dizia: “Rumo, estrada turva, sou despedida/ Por entre lenços brancos de partida/ Em cada curva sem ter você vou mais só”.

- Outro destaque foi a canção que Chico Buarque de Hollanda enviou do exílio, na Itália: Gente Humilde, composta em parceria com Vinicius de Moraes, sobre uma canção do violonista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha). A música se adequava às cenas estreladas pela família pobre de Andréa (Regina Duarte), que morava no subúrbio do Rio.

- A personagem Irene (Betty Faria) seria chamada inicialmente de Lúcia. Segundo Daniel Filho, Janete Clair concordou em trocar seu nome depois que ele e Nelson Motta escolheram como tema da personagem a canção Irene, composta por Caetano Veloso antes de sua partida para o exílio na Inglaterra. A gravação utilizada na novela foi a do registro, ao vivo, de uma apresentação de Elis Regina, intérprete da música, no Teatro da Praia, em Copacabana. Para usar a gravação na novela, era preciso cortar seu início, para que não se ouvissem os aplausos.

- O tema de abertura de Véu de Noiva é a música instrumental Azimuth (Mil Milhas), composta por Novelli e pelos irmãos Paulo Sérgio e Marcos Valle, com arranjo de orquestra. Azimuth (Mil Milhas) chegou a ser usada como tema de abertura das transmissões de Fórmula 1 pela TV Globo.




Tema de Luciano

Compositores: César Camargo Mariano

Intérprete: Luiz Eça



Teletema – Tema de Andréa e Marcelo

Compositores: Antônio Adolfo/ Tibério Gaspar

Intérprete: Regininha



Azimuth (Mil Milhas) – Tema de Marcelo e tema de abertura

Compositores: Marcos Valle/ Novelli

Intérprete: Apolo VI



Gente Humilde

Compositores: Garoto/ Vinicius de Moraes/ Chico Buarque

Intérprete: Márcia



Depois da Queda – Tema de Flor

Compositores: Roberto Menescal

Intérprete: Roberto Menescal



Irene

Compositores: Caetano Veloso

Intérprete: Elis Regina



Andréa

Compositores: Dori Caymmi/ Nelson Motta

Intérprete: Joyce



Azimuth – Tema de Marcelo & Tema de abertura

Compositores: Marcos Valle / Novelli

Intérprete: Apolo VI



Teletema – Tema de Andréa e Marcelo

Compositores: Antônio Adolfo / Tibério Gaspar

Intérprete: Regininha e Laércio



Irene

Compositores: Caetano Veloso

Intérprete: Wilson das Neves



Abertura

Compositores: Guilherme Dias Gomes

Intérprete: The Youngsters



Teletema

Compositores: Antônio Adolfo/ Tibério Gaspar

Intérprete: Claudio Roditi




ABERTURA

- A abertura de Véu de Noiva, que mostra imagens de uma corrida de Fórmula 1, foi idealizada pelo próprio diretor da trama, Daniel Filho. Segundo ele, nessa fase da emissora quase todas as aberturas de novelas eram criadas por seus respectivos diretores. Outras eram concebidas pelo cenógrafo e diretor de arte Cyro Del Nero.



DIVULGAÇÃO

- A TV Globo divulgou seu primeiro folhetim realista com a chamada: “Em Véu de Noiva tudo acontece como na vida real.” Na propaganda impressa, o subtítulo “Novela verdade” vinha abaixo do título da produção. Era uma forma de chamar a atenção do público para a modernização da teledramaturgia da emissora, implementada após a saída da novelista Glória Magadan do núcleo de produção de telenovelas. Com Véu de Noiva e Verão Vermelho, ambas de 1969, a TV Globo passou a investir em tramas pautadas pela busca da verossimilhança, aproximando a ficção da realidade dos telespectadores.







Véu de noiva é uma telenovela brasileira, produzida e exibida pela Rede Globo entre 10 de novembro de 1969 e 06 de junho de 1970. Foi escrita por Janete Clair, dirigida por Daniel Filho e teve 221 capítulos.

Foi produzida em preto-e-branco. Relata a história de Andréa, uma jovem humilde, que desfaz o noivado no dia do casamento, ao descobrir que seu noivo Luciano ama sua irmã Flor. Andréa encontra então o verdadeiro amor no corredor de automóveis Marcelo Monteserrat.


Flor tem um filho e o entrega a Andréa para que ela o crie. Mais tarde,impossibilitada de engravidar novamente, quer o filho de volta. Tem início então a disputa das duas irmãs pela guarda da criança.Véu de noiva marca a estréia de Regina Duarte na TV Globo.

É inspirada na radionovela escrita pela própria Janete Clair para a Rádio Nacional, que por sua vez se inspirou em um anúncio de jornal, onde um véu de noiva era oferecida para venda. A telenovela explodiu em todo o país, inovando ao mostrar as belezas naturais do Rio de Janeiro e lugares da moda, como bares e boates da cidade.

Os diálogos curtos e a linguagem coloquial fez despertar o interesse do público jovem. Foi a primeira novela da TV Globo a ter sua trilha sonora lançada comercialmente. Por volta do 30º capítulo, Geraldo Del Rey decidiu sair da novela, pois havia recebido convite para trabalhar na TV Tupi. Para resolver o problema, Janete Clair iniciou a longa série de assassinatos das telenovelas, surgindo o famoso brodão: "Quem matou ....?" (no caso, "Quem matou Luciano?").

A disputa pela guarda da criança mobilizou o país, então Daniel Filho teve a idéia de realizar um julgamento de verdade em cena. Para isso convidou o juiz Eliézer Rosa e um júri de pessoas comuns. O destino da criança foi parar nas mãos do juiz e ninguém, nem mesmo o diretor, sabiam por antecipação qual seria o resultado. Para não perder a emoção, o julgamento foi gravado direto, sem ensaio, e a emoção e tensão das atrizes era totalmente real. A mãe adotiva saiu vitoriosa.

Fatos:- Rita, matou Luciano porque ele tinha trazido desgraça para suas duas filhas, Andréa e Flor.

- Luciano era noivo de Andréa e engravida Flor. Depois se descobre apaixonado por Andréa, quando ela já estava casada com Marcelo.

- Luciano, ao encontrar Andréa sozinha em outra cidade e Flor dando a luz e renegando o filho (assumido por Andréa), não nega para Marcelo que o filho é dele com Andréa.

- A cicatriz no rosto de Andréa é resultado de um acidente provocado por Luciano, e dona Rita, mãe de Andréa, com raiva do ex-futuro genro, aparece no apartamento dele para exigir uma explicação, mas não agüenta e acaba atirando.- A mãe de Renato, Roberta, tia de Andréa era casada com Eugênio Montserrat, homem muito rico.

- Helena, rival de Roberta, decide ficar com Eugênio a qualquer custo, e mata Roberta, que estava grávida. A criança se salva, e Helena se casa com Eugênio, onde eles tem um filho, Marcelo Montserrat.

- Rita, irmã de Roberta, é casada com Felício e tem duas filhas, Flor e Andréa. Andréa é a cara da tia Roberta, assassinada por Helena, com exceção dos cabelos, já que Roberta era loura. Helena dificulta o romance de Marcelo e Andréa, pois sabe que ela é sobrinha da mulher que matou, e Andréa passa a usar a semelhança com Roberta a seu favor. Emprega-se na casa dos Monserrat como enfermeira de Tia Cora, e, usando uma peruca loura, provoca o caos na vida de Helena, chegando a deixa-la louca, pois Helena passa a acreditar que Roberta voltou para assombrá-la.

- A vinheta do "estamos apresentando": era uma roda de carro de corrida que girava sobrepondo-se a última cena apresentada.

- A abertura de Véu de Noiva era composta por uma bandeira de corrida, onde aparecia o nome dos atores. Era patrocinada pelo leite de magnésia “Philips”. Ao terminar o capítulo, entrava uma cena de corrida de automóveis e um vidro imenso do leite de magnésia ao lado.

- O tema de abertura era "Azimuth", do grupo Apolo VI, com autoria de Marcos Valle. Felício Madeira ( Gilberto Martinho ) em determinado capítulo desta novela é atropelado por uma kombi .Neste dia em que o capítulo foi ao ar , faltou luz em inúmeros bairros do Rio ,devido forte chuva ,acho .No dia seguinte o mesmo capítulo foi reapresentado.

-Meio surreal hoje ,não ? O piloto escocês de F1, Jackie Stewart, de passagem pelo Brasil, gravou uma participação especial. A novela teve uma versão mexicana, Velo de novia, em 1971, tendo os atores Julissa e Andres Garcia como Andréa e Marcelo. Em 2003, o produtor mexicano Juan Osorio resolveu reaproveitar o título e o nome da personagem principal numa nova novela, completamente diferente, o que faz com que algumas fontes a citem, erradamente, como um remake.

-A primeira trilha sonora da telenovela Global.

VÉU DE NOIVA: Diversos Intérpretes (ver Participações Especiais) Característica:vocal e instrumentalGravadora:CBD/PhilipsProdutor:Nelson MottaFormatos:(LP/1969)

Primeiro disco:1969

Observação:Trilha sonora da novela "Véu de Noiva", escrita por Janete Clair, dirigida por Daniel Filho, e transmitida pela Rede Globo. Esse foi o primeiro disco lançado com trilha de novela.

Ficha técnica do disco sem créditos aos músicos e arranjadores:

Baden Powell - acompanhando Márcia na faixa 4 - e Elis regina - junto ao conjunto de Roberto Menescal na faixa 5 - identificados pela autora desta Discografia. Não há créditos para eles nestas faixas.1. Véu de Noiva - TEMA DE LUCIANO - Luiz Eça2. Véu de Noiva - TELE TEMA - Regininha 3. Véu de Noiva - AZIMUTH - Apolo VI 4. Véu de Noiva - GENTE HUMILDE - Márcia5. Véu de Noiva - DEPOIS DA QUEDA - Roberto Menescal6. Véu de Noiva - IRENE - Elis Regina7. Véu de Noiva - ANDRÉA - Joyce8. Véu de Noiva - AZIMUTH - Apolo VI9. Véu de Noiva - TELE TEMA - Regininha e Laércio10. Véu de Noiva - IRENE - Wilson das Neves11. Véu de Noiva - ABERTURA - The Youngsters 12. Véu de Noiva - TELE TEMA - Claudio Roditi

-A abertura de Véu de Noiva tinha uma bandeira quadriculada daquelas de corrida de automóveis on de iam aparecendo o nome dos atores ; era patrocinada pelo leite de magnésia de Philips , no Rio .Quando terminava o capítulo entrava aquela cena de corrida de automóveis e um vidro imenso do leite de magnésia ao lado .

-O tema de abertura era AZIMUTH , MIL MILHAS , PELO GRUPO APOLO IV e autoria de Marcos Valle . Na verdade , ABERTURA dos Youngsters não era o tema da abertura da novela conforme a trilha sonora para quem não sabe , leva a acreditar . Outro grande tema romântico era " ´"I´LL CATCH THE SUN " ,encontrado somente em compacto simples , não está na trilha sonora original e a procura foi imensa na época .
-A trilha e o compacto que inclusive tem escrito ; tema de amor da novela "Véu de Noiva ".

CURIOSIDADES:

-Acidente desfigurou o rosto de Andréa...Sei que no livro nossa senhora das oito,diz q pela 1 vez houve uma cirurgia plástica na telenovela para retirar a cicatriz do rosto da Andréa e a famosa cicatriz permaneceu por muitos capitulos.

A CICATRIZ NO ROSTO DE ANDREA FOI CAUSADO POR...RITA (ANA ARIEL) MATOU LUCIANO (GERALDO DEL REY) PORQUE ELE TINHA TRAZIDO DESGRAÇA PARA SUAS DUAS FILHAS, ANDREA (REGINA DUARTE) E FLOR(MYRIAN PERSIA).ERA NOIVO DE ANDREA E ENGRAVIDA FLOR. DEPOIS SE DESCOBRE APAIXONADO POR ANDREA QUANDO ELA JÁ ESTAVA CASADA COM MARCELO. LUCIANO, AO ENCONTRAR ANDREA SOZINHA EM OUTRA CIDADE, E FLOR DANDO A LUZ E RENEGANDO O FILHO (ASSUMIDO POR ANDREA), NÃO NEGA PARA MARCELO QUE O FILHO É DELE E DE ANDREA. A CICATRIZ NO ROSTO DE ANDREA É RESULTADO DE UM ACIDENTE PROVOCADO POR LUCIANO POIS ANDREA, NO DIA DE SEU CASAMENTO DESCOBRE QUE O NOIVO É APAIXONADO POR SUA IRMÃ E QUE FLOR ESTÁ GRAVIDA. FOI DEMAIS PARA DONA RITA, MÃE DE FLOR E ANDREA. ELA VAI ATÉ O APARTAMENTO DE LUCIANO TENTAR CONVERSAR MAS NÃO AGUENTA E ATIRA NELE.


A primeira novela da globo que marcou o estilo Realismo. Até então, só havia o romantismo, novelas de época. Uma época em que os valores eram outros, realmente, indescritível.

BASTIDORES:

Influenciada pelo sucesso de Beto Rockfeller, a direção da Rede Globo constatou que era hora de optar por tramas mais modernas e arejadas. Com isso, na mesma época em que Emerson Fittipaldi despontava nas pistas de corrida, Janete Clair assumia sozinha a história da jovem humilde que se apaixona por um corredor de automóveis, dando adeus aos dramalhões supervisionados por Glória Magadan. O mundo de castelos, masmorras, calabouços, galeões espanhóis da Sra. Magadan foi substituído por imagens de um Rio de Janeiro luminoso, casa de campo em Petrópolis, autódromos movimentados. Hoje isso tudo pode parecer banal, mas em 1969 era moderníssimo!

A publicidade da época explicava o fato: "Em Véu de Noiva tudo acontece como na vida real. A novela verdade". Acrescentava ainda uma referência à estréia de Regina Duarte na TV Globo: "Só mesmo Andréa traria Regina Duarte para a Globo". A escalação da atriz foi mais um esforço da emissora em conquistar o público de São Paulo, ao trazer para seus quadros uma atriz paulista de grande sucesso.

A inspiração veio de um anúncio publicado num jornal carioca: "Vende-se um véu de noiva". Foi escrita anteriormente pela própria Janete para a Rádio Nacional.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, então executivo da Rede Globo na época, reagiu inicialmente quando soube que o tema da novela seria a corrida de Fórmula 1, receoso de que o tema afugentasse o público tradicional das novelas. "Mantenho o melodrama que o povo gosta com uma imagem mais brasileira e atual", foi a convincente resposta de Daniel Filho.

Por volta do trigésimo capítulo, Geraldo Del Rey pediu pra sair da trama. Havia sido convidado a trabalhar na TV Tupi. Foi quando Janete Clair iniciou a longa série de assassinatos famosos com o: "Quem matou Luciano?". O assassino era a personagem de Ana Ariel. Assim a saída do ator não criou nenhum problema, muito pelo contrário, serviu para criar um bordão.

Naquela mesma época, Dias Gomes escrevia Verão Vermelho para o horário das dez.

Nessa novela, Paulo Goulart era um médico que, acusado de charlatanismo, fugia da cidade em que morava. Enquanto isso, em Véu de Noiva, Flor, personagem de Myrian Pérsia, descobria-se grávida de Luciano, mas não queria assumir o filho sozinha. Então resolveu abandonar a criança, que ficou sob a guarda de Andréa. Algum tempo mais tarde, Flor se casava com outro homem, que queria ter filhos. Mas ela suspeitava que não podia mais engravidar devido a complicações no nascimento do primeiro filho.

Incerta, procurava um médico que pudesse lhe dar a confirmação definitiva de sua esterilidade, em busca de um tratamento salvador. Foi assim que Dias Gomes e Janete Clair combinaram que as duas novelas se encontrariam, e escreveram capítulos de tal forma que, ao procurar o médico charlatão, Myrian Pérsia acabou aparecendo também na novela das dez. Ao ouvir a confirmação de que não poderia mais ter filhos, ela resolve pedir o seu de volta. A partir deste momento, a novela começou a girar ao redor da disputa das duas irmãs. Com quem ficaria a criança? Com a mãe adotiva ou com a mãe verdadeira, que a abandonara.

A disputa de Regina Duarte e Myrian Pérsia pela guarda da criança começava a mobilizar o país. Na novela, o caso foi parar na justiça, e Daniel Filho, o diretor da trama, teve a idéia de realizar um julgamento de verdade em cena. Solicitou a um juiz de verdade, Eliézer Rosa, que armasse um júri. E os destinos da novela foram parar nas mãos do juiz. Ninguém, nem a autora, nem os atores e nem o próprio diretor sabiam por antecipação qual seria o resultado, o fim da novela. Para não perder a emoção, o julgamento foi gravado direto, sem ensaio. A tensão das atrizes era, portanto, totalmente real. Por fim, ganhou a mãe adotiva.

A novela, uma explosão de audiência no país, foi uma espécie de tiro no escuro, que deu muito certo. Nada era rigorosamente pré-definido, valia qualquer coisa para fazer da novela um grande sucesso. O personagem interpretado por Myrian Pérsia dividiu as opiniões femininas das mulheres de 1969, que não se consideravam capazes de julgá-la, já que na época, ser mãe solteira era considerado desonra.

"Para falar a verdade, comecei a gostar de fazer novela com Véu de Noiva", conta Daniel Filho em sua biografia Antes que me Esqueçam.

Com diálogos curtos e linguagem coloquial, Véu de Noiva inovava ao mostrar as belezas naturais do Rio de Janeiro, os lugares da moda, boates e bares do bairro de Ipanema. Janete Clair misturava personagens de ficção e gente famosa, como o poeta Vinícius de Moraes e o cronista Carlinhos de Oliveira, o que despertou o interesse do público jovem.

Com essa novela Janete Clair implantou as tramas paralelas, hoje recorrentes (e essenciais) em qualquer texto de novela. "Foi em Véu de Noiva que descobri que uma história, para ser um pouco mais longa, não poderia depender exclusivamente da linha principal. Com muito medo desenvolvi algumas tramas paralelas em Véu de Noiva e senti, então, como elas ajudavam a passar outros dados e emoções, além de descarregarem muito a tensão da história principal", recordou a autora numa entrevista em 1979.

O personagem de Cláudio Cavalcanti, o desarticulado Renato Madeira, ganhou importância na trama por conta do desempenho do ator. O papel foi idealizado por Daniel Filho com base em personagem epiléptico vivido no cinema pelo ator colombiano Lou Castel em Pugni in Tasca (1965). Como prêmio, o ator ganharia um dos personagens centrais da próxima novela de Janete Clair, Irmãos Coragem.

O piloto escocês de Formula-1 Jackie Stewart, de passagem pelo Brasil, gravou uma participação especial na novela.

Esta foi a primeira novela a ter músicas especialmente compostas para sua trilha sonora, produzida por Nelson Motta. Um grande sucesso foi Teletema, interpretada pela cantora Regininha. Irene, canção que Caetano Veloso fez antes de partir para o exílio na Inglaterra, foi gravada por Elis Regina exclusivamente para a novela. Chico Buarque, também exilado, enviou da Itália Gente Humilde, que compôs em parceria com Vinícius de Moraes.

Sobre a canção Irene, Nelson Motta narrou em seu livro Noites Tropicais:"Precisávamos também de uma bela música para a personagem Lúcia, de Betty Faria, e estava difícil. Foi quando ouvi na Philips a recém-chegada gravação que Caetano Veloso tinha feito de Irene na Bahia, antes de partir para o exílio. Era sofrida e lindíssima, só com Gilberto Gil acompanhando no violão, gravada num estudiozinho baiano. A música era tão boa que não foi difícil convencer Daniel Filho a ligar para Janete Clair e pedir que ela trocasse o nome do personagem de Betty para Irene."

Daniel Filho lembra que pela primeira vez se lançou um disco com a trilha de uma novela. Segundo ele, essa foi uma grande jogada de marketing, porque um produto promovia o outro, numa época em que a TV Globo não tinha ainda a hegemonia do mercado televisivo brasileiro.

Estréia 10 de novembro de 1969 a 27 de junho de 1970
221 capítulos
novela de Janete Clair
direção de Daniel Filho

SINOPSE

A história tinha como ponto de partida um noivado desfeito no dia do casamento, quando Andréa descobre que o noivo, Luciano, está apaixonado por sua irmã, Flor. Desiludida, foge de todos encontrando o verdadeiro amor nos braços de Marcelo Montserrat, um corredor de automóvel, às voltas com Irene, mulher irônica e despojada.

Flor descobre-se grávida de Luciano, mas não quer assumir o filho sozinha por vergonha de ser mãe solteira. Então resolve abandonar a criança, que ficou sob a guarda de Andréa. Algum tempo depois, Flor se casa com outro homem, que queria ter filhos. Ao ouvir a confirmação de um especialista de que não poderia mais ser mãe, ela resolve pedir o seu de volta. A partir deste momento, a novela começa a girar ao redor da disputa das duas irmãs. Com quem ficaria a criança? Com a mãe adotiva ou com a mãe verdadeira, que a abandonara.


ELENCO:

REGINA DUARTE - Andréa / Roberta / Maria Célia
CLÁUDIO MARZO - Marcelo Montserrat
MYRIAN PÉRSIA - Flor
GERALDO DEL REY - Luciano
BETTY FARIA - Irene
CLÁUDIO CAVALCANTI - Renato Madeira
JOSÉ AUGUSTO BRANCO - Sérgio
ÊNIO SANTOS - Eugênio
GLAUCE ROCHA - Helena
PAULO JOSÉ - Zé Mário
CARLOS EDUARDO DOLABELLA - Armando
DJENANE MACHADO - Maria Eduarda
GILBERTO MARTINHO - Felício
ANA ARIEL - Rita
NEUZA AMARAL - Lurdes
ÁLVARO AGUIAR - Dr. Albertini
OSWALDO LOUREIRO - Chico
SUZANA FAINI - Dulce
IDA GOMES
EMILIANO QUEIRÓZ - Tomaz
ZILKA SALABERRY - Tia Cora
DARLENE GLÓRIA - Leda
SUZANA DE MORAES - Vera
PAULO GONÇALVES - Seu Lorena
LOURDINHA BITTENCOURT - Olga
JORGE CHERQUES - Wilson
ROGÉRIO FRÓES
MARY DANIEL - Mariana
MIRIAN PIRES - Mariana
LÍCIA MAGNA
ROBERTO ARGOLLO - Arnaldinho
JÚLIO GARCIA
AGNES FONTOURA
ZENI PEREIRA
JORGE COUTINHO
JÚLIO CÉSAR - Antônio Lopes

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