quinta-feira, 23 de setembro de 2010

NOVELA: O CAFONA (1971)


Autoria: Vicento Sesso
Direção: Daniel Filho e Walter Campos
Período de exibição: 20/03/1971 a 20/10/1971
Horário: 22h00
Nº de capítulos: 183

Gilberto Athayde é um novo rico que sonha ser aceito pela alta sociedade. Ele é um homem simples e rude que conseguiu enriquecer como dono de uma rede de supermercados. Ao ficar viúvo, parte em busca do seu plano de se casar com uma grã-fina. Na trama, surgem duas possibilidades: Malu (Renata Sorrah), filha de Fred (Paulo Gracindo), um milionário falido que enxerga no casamento da filha um caminho para resolver seus problemas financeiros; e Beatriz (Tônia Carrero), ex-mulher do empresário Gastão Monteiro (Álvaro Aguiar), que se preocupa apenas em posar para capas de revistas como uma das mais elegantes das colunas sociais. Beatriz se apaixona por Gilberto Athayde e decide lhe ensinar a como se comportar em sociedade.
A novela destaca também a história de três jovens que pretendem fazer o filme mais radical do cinema brasileiro: Matou o Marido e Prevaricou com o Cadáver. Cacá (Osmar Prado), Rogério (Carlos Vereza) e Julinho (Marco Nanini) são caricaturas bem-humoradas dos diretores Cacá Diegues, Rogério Sganzerla e Júlio Bressane. Eles são liderados pelo Profeta (Ary Fontoura), uma espécie de guru das praias do Rio de Janeiro. O título do filme é uma paródia da famosa obra de Bressane, Matou a Família e Foi ao Cinema (1969).

A secretária de Gilberto Athayde é a loura Shirley Sexy (Marília Pêra). Ela é moradora de uma república hippie em Santa Teresa, no Rio de Janeiro e é apaixonada pelo patrão. Na trama, a secretária é escolhida pelos cineastas para estrelar o filme.


O tema da ascensão social aparece numa sátira ao movimento hippie e à alta sociedade carioca na história. Os personagens são novos-ricos e ex-milionários que não perderam a pose. Eles frequentam a piscina do Copacabana Palace, vão a banquetes e comentam as notas das colunas sociais de Zózimo Barroso do Amaral e Ibrahim Sued.

A interpretação de Francisco Cuoco foi um dos pontos mais marcantes da novela. O ator atuava pela primeira vez num papel cômico e o seu personagem cometia todos os tipos de gafe, como beber lavanda num jantar de milionários.


Outro grande sucesso entre o público foram as cenas de Gilberto Athayde e Shirley Sexy, que o chamava na intimidade de Gigi. Segundo a atriz Marília Pêra, a naturalidade de muitas cenas, especialmente as cômicas, vinha da liberdade que o autor dava aos atores para criar situações. No próprio texto, conta ela, Bráulio Pedroso indicava as cenas em que os atores deviam improvisar.
O diretor Daniel Filho convidou pessoas famosas, na época, para participar da novela, como: a cantora Maysa, pertencente à tradicional família Matarazzo de São Paulo; o nobre Juan de Bourbon, além de outros colunáveis que faziam pequenas participações na trama.

O Cafona foi um grande sucesso de público e crítica. Alguns frequentadores das colunas sociais sentiram-se atingidos, pois se viram espelhados na novela. Na época, Braúlio Pedroso chegou a afirmar que tinha se baseado em acontecimentos e pessoas reais. Por causa dessa polêmica, a Rede Globo decidiu exibir, pela primeira vez, depois da apresentação dos créditos, o aviso: “Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas ou fatos acontecidos terá sido mera coincidência”.
O Cafona foi a primeira novela que teve a trilha sonora produzida pela Som Livre. A música Shirley Sexy foi interpretada pela própria Marília Pêra. Outro sucesso foi Lúcia Esparadrapo, de Antônio Carlos e Jocafi, que fazia referência à personagem hippie de Djenane Machado. A excelente vendagem do disco levou ao lançamento da primeira trilha com músicas estrangeiras de uma novela, O Cafona - Internacional.


Elenco: Álvaro Aguiar (Gastão), André valli (Godofredo), Angelito Mello (Marcelo), Ary Fontoura (O Profeta), Carlos Vereza (Rogério), Djenani Machado, Elisângela (Dalva), Eva Christina (Suzy), Felipe Carone (Ayrton), Francisco Cuoco (Gilberto Athayde), Gésio Amadeu, Heloísa Mafalda (Margarida), Ilka Soares (Vera), Isabel Teresa (Heloísa), João Zacharias, José Augusto Branco, Juan de Bourbon (Pietro), Leonardo Alves (Leonardo), Marco Nanini (Julinho), Marília Pêra (Shirley Sexy), Mírian Muller (Roseli), Moacyr Deriquém (Eugênio), Osmar Prado (Cacá), Paulo Gracindo (Fred), Paulo Rezende, Renata Sorrah (Malu), René Fernandes, Roberto Bonfim, Sônia Dutra (Vivi), Suzy Kirbi (Amélia), Terezinha Moreira Deolinda), Vera Manhães, Walter Campos.


CURIOSIDADES

A cantora Maysa se revelava como atriz interpretando Simone, uma personagem que em muito se assemelhava com sua intérprete. Em uma das suas cenas mais antológicas na trama, Simone era expulsa do famoso Copacabana Palace á ponta-pés. Muita gente acabou achando que Maysa realmente estava sendo expulsa do hotel carioca. Para embalar as desventuras de sua personagem, a cantora musicou um de seus mais recentes poemas Tema de Simone lançado apenas em compacto simples.

O Cafona foi a primeira telenovela a apresentar a famosa legenda "Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas ou com fatos reais terá sido mera coincidência", já que pessoas da alta sociedade carioca se sentiram retratadas na novela.

O autor vinha das revolucionárias Beto Rockfeller e Super Plá, na TV Tupi.

Dos capítulos da telenovela, sobraram pouquíssimas cenas. No site GMC pode se assitir livremente um trecho da abertura com cenas de Marilia Pêra contracenando com Cuoco. Provavelmente restou mais cenas da novela nos arquivos da Globo.

A primeira trilha sonora de telenovela lançada pela gravadora Som Livre foi a de O cafona, com músicas especialmente compostas para a história. O sucesso de vendas foi tanto que lançou-se no mercado um segundo disco, "O Cafona - Internacional". Desde então, é comum o lançamento de, pelo menos, dois discos com as músicas das trilhas sonoras das telenovelas. No disco nacional, a própria Marília Pêra canta o tema de sua personagem, "Shirley Sexy".

ABERTURA

TRILHA SONORA NACIONAL

01.Shirley Sexy - Marília Pêra (tema de Shirley Sexy)
02.Nada Mais - Jacks Wu (tema de Dalva)
03.Bia Bia Beatriz - Orquestra Som Livre (tema de Beatriz)
04.Depois de Tanto Tempo - Ângela Valle
05.Gente do Morro - Carlos Lyra
06.Homem de Bem - Marcos Samy (tema de Gilberto Athayde)
07.O Cafona - Ângela Valle e Paulo Sérgio Valle (tema de abertura)
08.Lúcia Esparadrapo - Betinho (tema de Lúcia Esparadrapo)
09.Manequim - Marília Barbosa (tema de Malu)
10.Alta Sociedade - Pedrinho Rodrigues (tema de Fred e Heloísa)
11.I Get Baby - Nonato Buzar
12.Luzes, Câmera, Ação - Betinho (tema de Rogério, Cacá e Julinho)
13.Tudo o Que Eu Sou Eu Dei - Sérgio Ricardo
14.Tanto Cara - Marcello Guenza (tema de Malu e Pietro)


TRILHA SONORA INTERNACIONAL

01.Acapulco Gold - Mazon Dixon
02.I Feel Better - Paul Davis
03.Comme J'ai Toujours Envie D'aimer - Marc Hamilton
04.Lifetime Of Love - Tomi Devon
05.What Are You Doing Sunday - Silver
06.I Love You For All Seasons - Instrumental
07.Bouree Man - Lenny Damon
08.Les Rois Mages - Sheila
09.I Love You For All Seasons - The Fuzz
10.Can't Find The Time - Rose Colored Glass
11.Leave It All Behind Me - The Fuzz
12.You And I - Geraldine Hunt & Charlie Hodges

Um comentário:

  1. O autor da novela O CAFONA é Braulio Pedroso e não Vicente Sesso.

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