domingo, 3 de outubro de 2010

NOVELA: DUAS VIDAS (1976)

Autoria: Janete Clair
Direção: Daniel Filho e Gonzaga Blota
Co-direção: Marco Aurélio Bagno
Período de exibição: 13/12/1976 – 11/06/1977
Horário: 20h00
Nº de capítulos: 154

Uma rua no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, é desapropriada para a construção de uma linha do metrô. A partir daí a novela acompanha a história dos moradores, o recomeço de suas vidas alteradas pelo progresso da cidade, suas relações familiares e amorosas.

Seu Menelau (Sadi Cabral) é um deles. Grego, alfaiate e pai de quatro filhos: Tomás (Cecil Thiré), Sônia (Isabel Ribeiro), Heitor (Moacyr Deriquém) e Oswaldo (Luis Gustavo), é um dos mais antigos do local e tem sua casa destruída, vendo-se obrigado a morar em um apartamento.

Filho de seu Menelau, Tomás mora no apartamento do pai com a esposa Leda Maria (Betty Faria) e o filho Téo (Carlos Poyart). Um dia, ele rouba o dinheiro de seu Menelau e foge com outra mulher, Gilda (Arlete Salles), deixando a família em situação muito difícil.

Abandonada, Leda Maria envolve-se simultaneamente com o dr. Victor Amadeu (Francisco Cuoco), médico que atende aos moradores da redondeza, e Dino César (Mario Gomes), aspirante a cantor e paixão de adolescência da moça.

O triângulo amoroso complica-se quando Dino se aproxima de Cláudia (Suzana Vieira), filha do dono de uma gravadora. Enquanto Dino ascende na carreira fonográfica, Leda batalha para se harmonizar com a família do ex-marido, criar o filho, apesar das dificuldades, e esquecer sua antiga paixão por Dino. No fim, depois de muitos desencontros, Leda vive um amor maduro com Victor.

Outra trama de destaque em Duas vidas é a história de Sônia e Maurício (Stepan Nercessian). Ela é solteira, madura e estabilizada financeiramente, mas tem dificuldades em se relacionar com Maurício, em função da diferença de idade. O romance entre uma mulher mais velha e um jovem não agradou a censura, que interferiu no desenrolar da história. Para aplacar a investida dos censores, a autora teve que oficializar a união do casal, o que não estava previsto na sinopse original.

Em Duas vidas, Janete Clair pretendia dar continuidade ao realismo social que fez tanto sucesso em sua trama anterior, Pecado capital (1975). No entanto, a autora viu frustradas suas intenções de fazer uma crítica humanista à chegada do metrô pela ótica dos moradores do Catete. A novelista quis abordar os transtornos que uma obra de interesse público pode causar ao universo particular das pessoas, mas a censura não gostou e limou toda a intenção crítica da novela. Até as cenas mais simples, como a reclamação dos personagens sobre a poeira causada pelas obras, foram proibidas de ir ao ar. A construção do metrô era obra do governo federal, na época representado pelo general Ernesto Geisel, e, de acordo com a censura, não podia ser criticada na televisão.


Ao assumir a direção da novela no capítulo 41, Gonzaga Blota sugeriu várias mudanças na trama para tentar superar, além das imposições da censura, a baixa aceitação do público. Por conta disso, Janete Clair não pôde manter a estrutura inicial da novela, dividida em três partes: a luta dos moradores contra a desapropriação de suas moradias, a dispersão deles com a demolição das casas e o reencontro em outros ambientes e situações. A saída encontrada pela autora foi desviar a atenção para os desencontros amorosos de Leda Maria, Dino e Victor Amadeu.

Janete Clair travou uma dura luta com a censura por causa da novela. A autora chegou a escrever uma carta à Divisão de Censura e Diversões Públicas do Departamento de Polícia Federal. O esforço da autora, no entanto, não surtiu efeito.

Janete Clair também sofreu com a crítica televisiva, que foi impiedosa. Ainda assim, a novela conseguiu alcançar sucesso de público e registrou alto índice de audiência em seu último capítulo. Janete Clair creditou o êxito final à fidelidade do público feminino a suas histórias e à personagem Leda Maria.



CURIOSIDADES

Estimulado pelo sucesso de seu personagem, Mário Gomes acabou se lançando como cantor. Uma das músicas de seu disco, Chiclete e cabochard, acabou sendo incluída na trilha sonora da novela. Na trama, a carreira de Dino afunda e ele termina como cantor de circo. Na vida real, o ator também não foi adiante com a investida fonográfica.

Duas vidas marcou a estréia de Christiane Torloni em novelas.

Duas vidas lançou moda. O colar de contas brancas usado por Dino virou febre entre o público.


 Alegria (Gentil Paulino), AlbertoPerez (Raul Barbosa), Alfredo Murphy (Osmano), Ana Ariel (Madame Xavier), Antônio Ganzarolli (Jorge), Arlete Salles (Gilda), Augusto Olímpio (Oliveira), Betty Faria (Leda Maria), Carlos Poyart (Téo), Cécil Thiré (Tomás), Christiane Torloni (Juliana), Cleide Blota (Roberta Bernardes), Elza Gomes (Rosa Amadeu), Flávio Migliaccio (Túlio), Francisco Cuoco (Victor Amadeu), Francisco Moreno (Eugênio Matta), Glória Pires (Letícia), Heloísa Helena (Virgínia), Isabel Ribeiro (Sônia), Isolda Cresta (Vera), Laura Soveral (Leonor), Leda Borba (Francisca), Luís Gustavo (Oswaldo), Luís Vasconcelos (José), Mário Gomes (Dino César), Milton Gonçalves, Moacyr Deriquém (Heitor), Myrian Rios (Cidinha), Navarro Puppin (Luís Carlos), Neusa Amaral (Sara), Nívea Maria (Hebe), Renata Rayan (Maria), Ruth de Souza (Eliza), Sadi Cabral (Menelau), samantha Schüller (Sandra), Sérgio Fonta, Sílvio Fróes (Braga), Stepan Nercessian (Maurício), Suzana Vieira (Cláudia), Vera Gimenez (Zuleika), Yaçanã Martins (Shirley), Zezé Motta (Jandira).

CURIOSIDADES

Nessa novela, Janete Clair voltaria a travar nova luta com a Censura. Nenhum personagem de Duas Vidas era inteiramente bom ou mau. O vilão da novela era o metrô, que era uma obra do Governo Federal, e, como tal, não poderia ser criticado na televisão. A censura também não gostou do relacionamento amoroso entre Sônia (Isabel Ribeiro) e Maurício (Stepan Nercessian). O diagnóstico foi implacável: além de subversiva, Duas Vidas atentava contra a moral e os bons costumes.

O personagem-cantor Dino César passou a ser cantor também na vida real: o ator Mário Gomes gravou um disco, inclusive com uma música na trilha sonora da novela (Chiclete e Cabochard). E cantor com marca registrada: o colar de contas brancas que o personagem usava tornou-se moda nacional.

Duas Vidas foi reapresentada em 1981, num compacto de 20 capítulos exibidos entre 5 e 30 de janeiro.
 
 
TRILHA SONORA
 
NACIONAL

01."Menina dos Cabelos Longos" - Agepê
02."Vá, Mas Volte" - Ângela Maria
03."Sorte Tem Quem Acredita Nela" - Fernando Mendes
04."Paralelas" - Vanusa
05."Contrastes" - Jards Macalé
06."Chiclete e Cabochard" - Mário Gomes
07."Deixa" - Bandits of Love
08."Olhos Nos Olhos" - Agnaldo Timóteo
09."Choro Chorão" - Martinho da Vila
10."Cuide-se Bem" - Guilherme Arantes
11."Levante Os Olhos" - Sílvio César
12."Duas Vidas" - Sônia Burnier
13."As Rosas Não Falam" - Beth Carvalho
14."Cinco Companheiros" - Paulinho da Viola


INTERNACIONAL

01."I Never Cry" - Alice Cooper
02."My Dear" - Manchester
03."Let's Be Young Tonight" - Jermaine Jackson
04."Lost Without Your Love" - Bread
05."Eté D'Amour" - Jean Piérre Posit
06."Golden Years" - David Bowie
07."So Sad The Songs" - Gladys Knight & the Pips
08."Quizás, Quizás, Quizás" - Los Indios
09."You're So Tender" - Chrystian
10."Tonight's The Night" - Rod Stewart
11."Phoenix" - Norman Connors
12."Jamie (My Love)" - Camilo Sesto
13."I Need You Now" - Dennis Gordon
14."One Love In My Lifetime" - Diana Ross
15."Nice n' Slow" - John Blackinsell
16."Rotisse Ná Mathis (O Som do Grego)" - Voskopoulos

COMPACTO DUAS VIDAS


REVISTAS DA ÉPOCA

Um comentário:

  1. gente! é tudo mt lindo, bethy faria uma gata, adorava seus pares romanticos da época alias ela combinava com qualquer um para fazer par romantico, janete realmente era um genio.

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